Estalos - Verdades e Mitos

Em nosso corpo possuímos várias articulações. Elas se constituem basicamente de duas superfícies ósseas recobertas de cartilagens, que são unidas por ligamentos e tecidos conjuntivos. Em alguns casos, envoltas por uma capsula articular. Todas possuem um sistema de lubrificação para que seja mantida a integridade da mesma. Este líquido se chama liquido sinovial.

O “estalar” uma articulação inicia-se pelo afastamento das estruturas ósseas. Por conseqüência os tecidos conectivos são alongados. Como você aumenta a distancia, mas não o conteúdo, cria-se uma diminuição na pressão interna. Esta por usa vez irá interferir na pressão do liquido sinovial que resultará em diminuição da solubilidade dos gases desse liquido, levando a cavitação (formando bolhas gasosas). Quando o stress do alongamento é grande, pode-se levar essas bolhas a estourarem, reproduzindo o barulho que associamos ao “estalo”.

Todo este processo permanece na articulação por volta de 30 minutos. Isto quer dizer que demora 30 minutos para os gases se solubilizarem novamente. Neste período não se consegue reproduzir novamente este efeito, portanto nem o som.

Após essas alterações há evidencias do aumento da mobilidade articular (efeito quebra). Assim como os órgãos tendinosos de Golgi são estimulados e os músculos em torno da articulação relaxam. (esse o motivo do relaxamento do paciente após terapias que provocam o efeito de cavitação articular como tratamento, a exemplo: quiropraxia)

Em longo prazo, com o hábito continuo, esse movimento pode causar: lesões nos tecidos moles e da capsula articular, além de diminuição da força (Segundo estudo feito por Raymond Brodeur e publicado no Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics). O liquido articular acaba sendo gasto em excesso, podendo levar a o surgimento de aderências e resistência na parte do corpo (pesquisa do periódico Annals of the Rheumatic Diseases). Hemorragia intrarreticular, edemas locais, rupturas de ligamentos e desgaste da cartilagem (A reumatologista e fisiatra Sylvana Braga, em entrevista à revista Women’s Health)

 

Portanto se for realizar “estalos” tem que ser por profissionais gabaritados. Esse tipo de manipulação deve ser feita de maneira orientada e em apenas um segmento lesionado por vez. É uma técnica eficaz, mas muito especifica. Se aplicada de maneira abusiva os resultados serão prejudiciais.

 

Uma observação importante é a existência de outro tipo de “estalos” audíveis no corpo que não corresponde a esses efeitos. A principal diferença é que um pode se realizar imediata e sucessivamente, um após outro. O que envolve cavitação demora em se realizar novamente. Neste caso é devido a algum tendão resvalando em contato com o osso e, neste caso, a repetição do estalo pode causar uma inflamação no tendão, ou seja: uma tendinite.

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